Tema: ‘Cotidiano’

Prêmio Dardo

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Prêmio Dardo Olá a todos, como pode-se perceber fui indicado ao Prêmio Dardo pelo Blog “Som Baratinho” e desde já agradeço e digo que assim estamos divulgando o que há de melhor na música brasileira, faço ainda questão de citar uma frase publicado no Blog “Toque Musical” que diz o seguinte: Se foi publicado, do público é.
Creio que desta forma não só Blogs destinados a música nacional, mas assim como outros blogs que nos fazem conhecer a cultura brasileira que anda tão sumida perante aos olhos da grande maioria dos brasileiros.
Distribuir Cultura não é errado e tampouco crime.

Segue abaixo 15 blogs que acho que podemos aproveitar da melhor maneira possível:

Som Baratinho
Capsula da Cultura
Loronix
The Bossa Blog
Bossa Brasileira
Um que Tenha
Música da Boa
Toque Musical
Som Barato
Samba & Soul
Feijão Tropeiro
Notas Musicais
News Brasil Mídia
Br-Instrumental
Uma Música por Dia

É isso!
espero que a música brasileira seja cada vez mais divulgada.

T+

Aviso sobre Links Quebrados

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Olá a todos os navegantes.

venho informar que os links dos seguintes álbuns foram alterados e estão funcionando corretamente:

Jorge Vercilo - Ao vivo
Alceu Valença - Em todos os Sentidos - Ao Vivo
Vinicius de Moraes - O Filme
Mart’nália - Ao Vivo em Berlim
O Rappa - 7x
Nando Reis - A Letra A

agora sim, podem fazer downloads a vontade.

T+

Quem pode Negar?

segunda-feira, 14 de abril de 2008

A Justiça implacável.

Os dias de hoje me soam como algo que está além da imaginação, além túmulo, além conversas de bar, além de todas as mentiras mais deslavadas, além de todos os descasos que podemos ter. O que vemos na sociedade senão um grande caos em meio a tantas barbáries e sofrimento? O que vemos pela mídia é apenas um pouco daquilo que realmente existe bem perto de nossos quintais, o que vemos é apenas o ninho, o superficial da violência, do extermínio daquilo que chamamos de felicidade, o que vemos é a pouca bobagem na qual nos acostumamos a presenciar pela tela de nossa televisão, ou pelo olhar atônito dentro de um ônibus, moto ou carro.
O que corre por trás dos telejornais, o que não vemos é para nos sentirmos bem? Já basta vermos tanto descaso, tantas falhas óbvias que se tornam mínimas, tanta dor alheia que quem esta ao redor chora também, mas no fim tudo esta banalizado, tudo se torna parte do cotidiano, o menino que é arrastado por quilômetros pelo lado de fora do carro, o tiro que põe a universitária em uma cadeira de rodas, os 25 metros que separam o sexto andar do chão, uma vida que não viveu quase nada, uma vida que terminou em um gramado em um condomínio qualquer da grande cidade de São Paulo, o inocente que foi assassinado por alguns trocados, ou então por que não deu o carro para o homem que o apontava uma arma enferrujada para sua cabeça e atirou, o menino de rua que não agüenta tanta dor e se droga para viver alheio a toda dor que o cerca desde cedo. Será que basta apenas chorarmos? Será que temos poder de reação? Ou as esperanças de nossas reivindicações já estão sepultadas? O beco parece ser sem saída a violência não é abstrata, machuca, fere e mata, destrói famílias, mancha para sempre corações, surpreende a todos, nada pode escapar dela, somos culpados e inocentes, somos vítimas de um sistema falho, fraco, impetuoso e preconceituoso.

Somos reféns de nossa própria liberdade.

Porém estamos aí. A vida não espera senhores, passa a cada segundo e garanto que não vai esperar. Há de haver ainda compaixão, bondade, esperança, amor ao próximo. Tem que haver, mesmo que em menor número, mesmo que tímida as coisas boas que temos em nossos corações tem que aparecer, prevalecer e mudar a atual situação em que vivemos. Não estou pedindo para esquecermos a violência, estou pedindo para que a partir desta violência que infelizmente sempre existirá, tomemos consciência de que não podemos simplesmente derramar lágrimas, temos que agir, temos que tomar atitudes, temos que gritar e clamar por justiça que é o princípio básico para que possamos ter uma sociedade menos injusta e perturbadora.

Francisco Escobar, 14 de abril de 2008.

O que pretendo fazer com minha vida?

segunda-feira, 24 de março de 2008

O que pretendo fazer com minha vida? Uma questão enigmática e que provavelmente não ira me abandonar até os últimos dias de minha existência. Mas o que posso fazer para viver tranquilamente esta vida já cheia de tantos desafios e revés, tantas conseqüências não planejadas e tantas alegrias inesperadas, tudo misturado em um sentimento que não conseguimos distinguir em momento algum, não podemos tocar e na maioria das vezes sequer conseguimos descreve-lo e sendo assim considero falha a tentativa de se chegar à alguma conclusão sobre os sentimentos do homem, mas mesmo eu tendo esta consciência não vou desistir de buscar respostas para perguntas tão difíceis de serem respondidas e que me fazem refletir muito sobre os muitos perigos desta vida.
Não sei bem sobre o que estou escrevendo, as linhas vão se multiplicando e minha fase poética criativa finalmente parece estar voltando, após dois longos anos anti-poéticos à vontade e a necessidade de escrever se faz presente novamente, de forma que aqui estou escrevendo e querendo cada vez mais as coisas da vida e assim que deve ser enquanto por aqui estiver.

Minha vida é uma mistura de sentimentos,
Poéticos na sua totalidade,
Idealistas e realistas,
A vida toma forma distinta a cada instante,
Não voltaremos ao mesmo lugar,
Já não existe aquilo que passou,
E o que passou e ficou já mudou também,
Resta-nos apenas a idéia de que um dia aconteceu,
De que ficou gravado, e isto…
Ninguém pode roubar,
Ninguém pode ter acesso.
O avesso dos sentimentos cravados em nossas mentes,
Lembranças daquilo que passou,
Impulsionando aquilo que um dia virá,
Escravizando a vida, uma conseqüência de atos.
Mantendo as verdades intactas,
E a vida uma incógnita.

até logo.

A solidão como ninguém vê.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

A solidão, em minha opinião é apenas parte de nossos sentimentos, alguma coisa que nos leva , arrebata de forma que não me encontro mais em lugar nenhum, encontro-me no lugar nenhum de minha mente onde, o vazio não impera e a substância se mistura, os desejos se tornam cada vez mais compostos gerando uma confusão de sentimentos que me trás uma sensação inexplicável. Não é loucura, não é afastamento do real, não é patológico, sinceramente não sei, ela (a solidão) não chega de mansinho, me toma de forma que não posso lutar, e não tem pressa de ir embora, me olho pelo reflexo de meus óculos que estão a minha frente, não posso esconder minha ansiedade em viver de forma que me sinta sempre feliz, procuro epicuro e sua busca pela felicidade, leio um pouco, logo me distraio, escuto música logo me acalmo e no fim… A solidão é minha melhor amiga por que sempre está comigo, meus pensamentos são esta solidão e nada pode mudar isto e não posso afirmar que sou sozinho no mundo, pois para mim, a solidão não se dá nestes momentos, tenho uma vida regrada, com uma boa família e uma esposa que amo e que não posso viver sem, portanto a solidão perde seu sentido geral, aquele que é citado pela maioria das pessoas que sofrem desilusões amorosas ou que vivem isolados de tudo e de todos, não sou assim quero calor humano, quero estar com pessoas e discutir o quanto aquilo me faz bem, quero poder debater as incoerências da vida, quero poder conversar e nada mais, sem severas reflexões ou pensamentos complexos, quero ser eu mesmo, e sou porque assim deve ser, devemos sempre ser transparentes e sinceros não podemos não sermos nós, é estar fugindo de si mesmo, é pecar contra as ideologias que pregamos em nossas vidas, é querer o sofrimento e definitivamente não desejo estes adjetivos circulando em minha vida.
Voltando a falar de solidão, não sou Zaratustra, não passei 10 anos em reclusão para entender determinadas coisas, não desci a montanha e vi que as pessoas não entenderiam as questões sobre as quais refleti durante tanto tempo de reclusão, mas mesmo sem tudo isso, posso sentir que as várias facetas que a vida nos impõe são obstáculos grandes apenas por um motivo: os tornamos maiores do que são, inventamos um monstro para nos assustar, para nos preocuparmos, para chorarmos e dividirmos a culpa caso aquilo que queremos e ou planejamos não de certo e assim, não nos sentiremos muito mal quando as coisas saírem dos trilhos.
Visto isso, percebo que (pelo menos para mim) a solidão é extremamente necessária, e isso não significa que quero me afastar das pessoas, como já disse anteriormente, quero apenas estar com meus pensamentos, quero apenas estar sozinho em meu mundo, refletir sobre minhas atitudes, recolher alguns cacos e jogar fora, colar alguns outros, expandir minha percepção sobre o mundo, correr pelas vias de meu mundo, sem me preocupar se o farol irá fechar ou não, a solidão é minha amiga e companheira de todas as horas que sinto necessidade de refletir, de sentir minhas emoções que muitas vezes não sobressaem, não explodem para o mundo, e a única coisa que pode acalmar todo este turbilhão sou eu comigo mesmo, o momento de estar sozinho mesmo que uma multidão esteja em sua volta, o momento de chegar a seguinte conclusão: eu busco a felicidade, eu busco a saída da caverna e acho que assim que deve ser.

Nossos Atos.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008


A conseqüência de nossos atos é na grande maioria das vezes somente nossa, tudo que fazemos tem a autorização prêvia de nós mesmos, não podemos culpar ninguém pelos nossos atos, a historia já demonstrou isso diversas vezes, nossa historia já nós mostrou isso.
Sabemos que nossa maneira de agir está diretamente ligado ao nosso consciente e principalmente ao nosso subconsciente e quanto a isso, pouco podemos fazer, pois não temos acesso, ou pelo menos nenhum acesso imediato e de forma consciente e que possamos decidir sobre o que fazer, mas de bate - pronto não, não temos acesso ao nosso subconsciente, temos sim o reflexo dele e que poucas vezes nós atribuímos ao mesmo. Mas falando novamente de nossos atos, somos sim! Responsáveis por todos eles, sem nenhum tipo de desculpa, sem choro ou qualquer coisa que lembre algum tipo de lamentação, nossos atos nos fazem heróis, nos condenam, fazem o arrependimento crescer, a agonia, o choro, a alegria e todos outros adjetivos que quisermos colocar aqui, nossos atos são o reflexo daquilo que queremos mostrar na sociedade, se queremos atingir alguém é através de uma atitude verbal ou física, se queremos apenas mostrar alguma coisa, teremos que tomar uma atitude e este atitude trás conseqüências e estas conseqüências podem ter dimensões que às vezes fogem do nosso controle e ter alguma coisa fora do controle não é algo muito agradável, e a própria historia mais uma vez nos mostra isso.
O que eu quero dizer com tudo isso?
Que o que vivemos hoje, nada mais é que um muro de lamentações recheados de mortes, fome, miséria, guerra… Muita guerra, e que este muro foi construído por conseqüências de nossos atos, de atitudes inconseqüentes, atitudes tomadas por poucos em um mundo de bilhões, atitudes que salvam os interesses, não as pessoas, atitudes que não precisariam ser tomadas e que infelizmente foram e que como desculpa muitas vezes ouvimos: foi necessário para o desenvolvimento da humanidade.
Triste? Sim, muito triste, porém isto tudo é a realidade com um toque refinado de ganância, o homem armou sua própria armadilha e quem vai nos salvar? Pois bem. Não queremos ser salvos, por que a salvação exige julgamento e isto, é inaceitável para o homem, queremos a morte, lenta e dolorosa e se não queremos, nossas atitudes demonstram o contrário.
Independente do coletivo que não anda muito bem, se nossos atos forem feitos com certa prudência, talvez tenhamos uma vida melhor, (o mundo é o caos, e se eu realmente desse crédito para o apocalipse, eu diria que os cavaleiros estão chegando e que nós os convidamos para a grande festa que é a vida.) tenhamos uma vida regrada onde possamos pensar, ou melhor, repensar nossas atitudes e o quanto elas podem ser aproveitadas ou não, a vida não para, caminhamos sempre para o futuro que muitas vezes faz o presente não existir, faz o passado parecer antiquado e nos faz tomar decisões precipitadas, portanto pensem bem nas conseqüências de seus atos, eles são seu cartão de visita para uma vida menos infeliz.

Texto: Francisco Escobar
Obra: Cândido Portinari - Família de Retirantes.

Dívidas

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Olá Pessoal,
Acabo de ler um texto muito interessante escrito por um grande amigo meu (Elton Dias).

Segue abaixo o texto na íntegra.

Dívidas

Você nasce.
E a partir daí sua vida é uma coleção infinita de dívidas.
Não tem como escapar.

Ainda nenê, você aprende que será cobrado por cada passo.
As primeiras “dívidas” que você adquire são:

- ele ainda não aprendeu a falar?
- ele engatinha, mas ainda não anda?

Então você se esforça, aprende a repetir os sons que seus semelhantes fazem.
Aprende a se equilibrar nas duas patas traseiras.
E quando isso acontece, quando uma dívida é paga, sempre há uma festa.
As festas vão sendo feitas de formas diferentes ao longo da vida.

A primeira festa é dita numa única palavra: “NASCEU!”.
Você pagou a dívida inicial de estar dentro de uma fêmea.
As festas seguintes são: “Ele disse ma-má!”; “Ele deu dois passos hoje!”.
E são sempre as mesmas festas sendo comemoradas, geração após geração, como se houvesse alguma novidade nisso tudo.

É claro que tudo isso acontece por causa da Festa Zero, a Festa Primordial:
- ahhhhhhh, gozei!

O que você descobre com o tempo, é que a vida não é feita só de festas, mas sim de cobranças.
Não importa sua idade, seu sexo, sua religião. Você que está lendo isto agora, você está endividado!

Então, quando você tem uns cinco anos de idade, tem botam numa escola.
A época das festas acabou. E você logo descobre que a época do colégio é uma época de longas e repetitivas cobranças.
Seus pais, seus tios, a mãe do outro coleguinha, todos sempre tem (por algum motivo) que ajudar a te cobrar, “porque sozinho ninguém se cobra” é o que dizem.
- você está estudando?
- suas notas estão boas?
- passou de ano?
- fez o dever de casa?
Só há festa, ano após ano, se todas essas cobranças forem pagas na carteirinha escolar, no final do ano, em forma de passaporte para o ano seguinte.

Como a época do colégio é longa, os últimos anos dessa fase são sempre mal-cobrados.
Você já ouviu essas perguntas tantas vezes que fica imune a elas. Seus cobradores sabem disso, e se concentram em cobrar outras coisas. Ou se concentram em pagar as próprias dívidas.

Falando em cobrar outras coisas, no final do colégio já começam a te endividar denovo.
- está fazendo algum outro curso?
- Inglês? Informática? Caratê? Catequese?
- está procurando algum serviço?
Sem contar no velho “o que você vai ser quando crescer?”.
Você tem que dar um jeito de escolher, amigo.

Então, você consegue. Você termina o colégio, termina o Ensino Médio.
E faz uma análise do que pode te dar mais dinheiro no futuro para escolher que faculdade fazer.
Alguns dizem pra você escolher algo que goste, mas isso é tudo besteira. Senão as pessoas se formariam em fazer sexo, comer, dormir e ver tv.

Você entra na faculdade e arruma um emprego pra ajudar a pagar.
Mas isso não diminui suas dívidas.
- como está no serviço?
- cabulou aula hoje?
- não seria bom mudar não?

Isso sem falar nos relacionamentos.
Se você tiver namorada, suas dívidas são:
- mas já ta namorando? É tão novinho!
- se cuida heim! Sabe usar um preservativo?
E, se você não tiver namorada, a sua dívida é justamente o que você não tem.

Cobrar é uma arte que não tem hora nem lugar para acontecer.
Você pode estar visitando sua avó, quando derepente:
- e a namorada?
Ou então pode estar fazendo compras na quitanda, quando acontece:
- você está por dentro do que tá rolando no mercado de trabalho?
Ou ainda, pode estar num funeral de um parente distante quando um primo desconhecido te pergunta:
- por que você não visitou ele antes?

Digamos que você é um cara exemplar, você cumpre com suas dívidas.
Você termina a faculdade, tem um bom emprego e uma bela namorada.
A namorada em questão tem que ser bela, porque essa é a cobrança do seu inconsciente.
Você não pode simplesmente sossegar. Você já está endividado!
- vocês não vão noivar?
- você não vai fazer uma pós?
- que tal abrir um negócio próprio?

Então lá vai você denovo correr atrás do prejuízo.
Você fica noivo, estuda mais um pouco, melhora sua condição no trabalho.
Mas é inevitável, essa é até fácil de adivinhar:
- quando vocês vão casar?

Vocês se casam.
Antes que alguém pergunte o que a noiva vai vestir, ela aparece de branco com uma cauda longa arrastando no chão. Algo super original para todos aqueles preocupados apenas em cobrar e pagar.
Quanto a casar, é bom não deixar essa cobrança se estender por muito tempo, senão vão te cobrar sobre o porque de você morar ainda com seus pais.
E sobre a festa do casamento. Essa você tem que planejar antes e pagar. Não é tão simples como dizer “ma-má!”.

Agora você é um adulto.
Você está casado. Tem sua casa (que pode ser alugada), tem um carro e um emprego.
É quando inocentemente lhe perguntam:
- vocês não querem ter filhos?
- quando você vai me dar um netinho?

Ok, você diz. Vamos cancelar aquela viagem nas férias. Vamos comprar fraldas!
O neto é uma felicidade diferente para os avós. Agora eles vão poder cobrar tudo aquilo que cobraram de você denovo, mas sem ter a sua responsabilidade. Eles até esquecem das próprias dívidas.
Ser pai e ser mãe é uma grande festa. É um título honorário permanente.

Mas você não tem trégua. É uma reação em cadeia.
- vocês não vão dar um irmãozinho pra ele?
- um só é muito pouco!
É, como se quase sete bilhões de pessoas no mundo já não fosse o suficiente.

A vida passa muito depressa e você tem que se concentrar em estar sempre pagando, porque dívida é o que não falta.
Deixar de pagar uma dívida então é muito pior.
Os juros correm soltos e você acaba se encontrando dentro de uma bola de neve.

A vida passa tão depressa que grande parte das dívidas passam e você nem se dá conta.
- hoje é o seu dia de lavar a louça!
- já comprou o uniforme dos meninos?
- por que você não vem me visitar?
- cadê aquele relatório que eu te pedi?
- você não lembra que dia é hoje?
- por que você não compra um tênis de marca?
- você não vai à festa?
- na calça não, eu já falei pra você pedir, não falei?
- põe o meu nome no trabalho aí?
- você pode me emprestar?
- hey, você é surdo?

Se você for diferente do padrão então, você tem dívidas extras.
Se for gay:
- você é gay?
Se for preto:
- quando não caga na entrada, caga na saída!
Se for ateu:
- pra que você vive então?
Se for branco que foi assaltado três vezes, e as três vezes o filho-da-puta era preto:
- você é racista!
Se for dedicado aos estudos:
- olha lá o nérdão vindo aí.

Então, você se aposenta. A grande dívida do trabalho termina.
Você não precisa mais estudar, mesmo porque você não consegue entender nada que já não conheça. Você não precisa se relacionar também.
Você vai ficando velho, e pouco a pouco todos vão se afastando.
Isso é um acontecimento natural. As pessoas querem ver pessoas que elas possam cobrar de alguma coisa. E você é apenas um coitado.

Fazer qualquer tipo de reflexão sobre tudo isso é besteira.
As pessoas vão falar que você está bitolado e vão fazer piadas sobre sexo para serem mais aceitas.
Se você quer conversar com as pessoas aí vai dica, cobre elas de alguma coisa e deixe ser cobrado também, afinal é pra isso que estamos aqui.

Agora você se encontra velho, viúvo e morando num asilo.
A casa que era sua agora é do seu filho, da sua nora e dos pentelhos dos seus netos.
Você quase não vê ninguém de fora. Quase ninguém te visita.
Quando os netos dos outros velhos vêm, eles ficam muito felizes. É a felicidade de ver os seus genes progredindo através das gerações. É a felicidade de ser normal, de ser comum.

Você já não agüenta mais essa vida, essa dívida, essa dí-vida!
Nada disso teria acontecido se a porra da Festa Zero também não tivesse acontecido.
Mas o que fazer, há festas zeros em todo lugar, e elas são apenas o pagamento de alguma dívida. É a cobrança do instinto, da mãe-natureza.

Então você pensa positivamente. Você olha pra você mesmo e diz:
- Agora não tenho mais dívidas!
Vou aproveitar estes últimos anos sem me preocupar em pagar cobrança alguma.

É quando seu filho e netos vem te visitar.
E você sente que eles estão com pressa, eles olham para o relógio o tempo todo.
O mais novo pede pro pai que quer ir embora.
Ninguém te diz nada, mas também não precisa. Você sente.
Você sente o peso da última dívida em cada olhar deles:
- você não vai morrer?

(elton dias)