A Justiça implacável.
Os dias de hoje me soam como algo que está além da imaginação, além túmulo, além conversas de bar, além de todas as mentiras mais deslavadas, além de todos os descasos que podemos ter. O que vemos na sociedade senão um grande caos em meio a tantas barbáries e sofrimento? O que vemos pela mídia é apenas um pouco daquilo que realmente existe bem perto de nossos quintais, o que vemos é apenas o ninho, o superficial da violência, do extermínio daquilo que chamamos de felicidade, o que vemos é a pouca bobagem na qual nos acostumamos a presenciar pela tela de nossa televisão, ou pelo olhar atônito dentro de um ônibus, moto ou carro.
O que corre por trás dos telejornais, o que não vemos é para nos sentirmos bem? Já basta vermos tanto descaso, tantas falhas óbvias que se tornam mínimas, tanta dor alheia que quem esta ao redor chora também, mas no fim tudo esta banalizado, tudo se torna parte do cotidiano, o menino que é arrastado por quilômetros pelo lado de fora do carro, o tiro que põe a universitária em uma cadeira de rodas, os 25 metros que separam o sexto andar do chão, uma vida que não viveu quase nada, uma vida que terminou em um gramado em um condomínio qualquer da grande cidade de São Paulo, o inocente que foi assassinado por alguns trocados, ou então por que não deu o carro para o homem que o apontava uma arma enferrujada para sua cabeça e atirou, o menino de rua que não agüenta tanta dor e se droga para viver alheio a toda dor que o cerca desde cedo. Será que basta apenas chorarmos? Será que temos poder de reação? Ou as esperanças de nossas reivindicações já estão sepultadas? O beco parece ser sem saída a violência não é abstrata, machuca, fere e mata, destrói famílias, mancha para sempre corações, surpreende a todos, nada pode escapar dela, somos culpados e inocentes, somos vítimas de um sistema falho, fraco, impetuoso e preconceituoso.
Somos reféns de nossa própria liberdade.
Porém estamos aí. A vida não espera senhores, passa a cada segundo e garanto que não vai esperar. Há de haver ainda compaixão, bondade, esperança, amor ao próximo. Tem que haver, mesmo que em menor número, mesmo que tímida as coisas boas que temos em nossos corações tem que aparecer, prevalecer e mudar a atual situação em que vivemos. Não estou pedindo para esquecermos a violência, estou pedindo para que a partir desta violência que infelizmente sempre existirá, tomemos consciência de que não podemos simplesmente derramar lágrimas, temos que agir, temos que tomar atitudes, temos que gritar e clamar por justiça que é o princípio básico para que possamos ter uma sociedade menos injusta e perturbadora.
Francisco Escobar, 14 de abril de 2008.