A solidão como ninguém vê.
A solidão, em minha opinião é apenas parte de nossos sentimentos, alguma coisa que nos leva , arrebata de forma que não me encontro mais em lugar nenhum, encontro-me no lugar nenhum de minha mente onde, o vazio não impera e a substância se mistura, os desejos se tornam cada vez mais compostos gerando uma confusão de sentimentos que me trás uma sensação inexplicável. Não é loucura, não é afastamento do real, não é patológico, sinceramente não sei, ela (a solidão) não chega de mansinho, me toma de forma que não posso lutar, e não tem pressa de ir embora, me olho pelo reflexo de meus óculos que estão a minha frente, não posso esconder minha ansiedade em viver de forma que me sinta sempre feliz, procuro epicuro e sua busca pela felicidade, leio um pouco, logo me distraio, escuto música logo me acalmo e no fim… A solidão é minha melhor amiga por que sempre está comigo, meus pensamentos são esta solidão e nada pode mudar isto e não posso afirmar que sou sozinho no mundo, pois para mim, a solidão não se dá nestes momentos, tenho uma vida regrada, com uma boa família e uma esposa que amo e que não posso viver sem, portanto a solidão perde seu sentido geral, aquele que é citado pela maioria das pessoas que sofrem desilusões amorosas ou que vivem isolados de tudo e de todos, não sou assim quero calor humano, quero estar com pessoas e discutir o quanto aquilo me faz bem, quero poder debater as incoerências da vida, quero poder conversar e nada mais, sem severas reflexões ou pensamentos complexos, quero ser eu mesmo, e sou porque assim deve ser, devemos sempre ser transparentes e sinceros não podemos não sermos nós, é estar fugindo de si mesmo, é pecar contra as ideologias que pregamos em nossas vidas, é querer o sofrimento e definitivamente não desejo estes adjetivos circulando em minha vida.
Voltando a falar de solidão, não sou Zaratustra, não passei 10 anos em reclusão para entender determinadas coisas, não desci a montanha e vi que as pessoas não entenderiam as questões sobre as quais refleti durante tanto tempo de reclusão, mas mesmo sem tudo isso, posso sentir que as várias facetas que a vida nos impõe são obstáculos grandes apenas por um motivo: os tornamos maiores do que são, inventamos um monstro para nos assustar, para nos preocuparmos, para chorarmos e dividirmos a culpa caso aquilo que queremos e ou planejamos não de certo e assim, não nos sentiremos muito mal quando as coisas saírem dos trilhos.
Visto isso, percebo que (pelo menos para mim) a solidão é extremamente necessária, e isso não significa que quero me afastar das pessoas, como já disse anteriormente, quero apenas estar com meus pensamentos, quero apenas estar sozinho em meu mundo, refletir sobre minhas atitudes, recolher alguns cacos e jogar fora, colar alguns outros, expandir minha percepção sobre o mundo, correr pelas vias de meu mundo, sem me preocupar se o farol irá fechar ou não, a solidão é minha amiga e companheira de todas as horas que sinto necessidade de refletir, de sentir minhas emoções que muitas vezes não sobressaem, não explodem para o mundo, e a única coisa que pode acalmar todo este turbilhão sou eu comigo mesmo, o momento de estar sozinho mesmo que uma multidão esteja em sua volta, o momento de chegar a seguinte conclusão: eu busco a felicidade, eu busco a saída da caverna e acho que assim que deve ser.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008 @ 8:48 pm
Eu li este texto sozinho! hehe
Mas entendi, se fechar no próprio mundo, certo?
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008 @ 1:27 pm
Em “a substância se mistura”, não compreendi muito bem´…
Já no trecho que você cita: “… Quero poder conversar e nada mais, sem severas reflexões ou pensamentos complexos…”
Sinto exatamente isso: essa ânsia por uma liberdade “plena” (e de certo modo indefinida), a necessidade de frear, sempre que possível essa “engrenagem” que nos impele a fazer muitas coisas, a acelerar estupidamente nossas decisões, tudo isso que nos torna loucos, insensíveis!
Há um caldeirão de idéias mais ou menos sedimentadas, mais ou menos fragmentadas… Uma série de valores que foram impostos (até mesmo a imposição do comportamento social, e por aí vai!
Puxa, deve ser por isso que se busca a fuga para si mesmo, um antídoto reequilibrante para que possamos agüentar o tranco. Tem gente que procura pisar na areia da praia, senta de frente para o mar, vê tudo com olhos em nada. Outros meditam de olhos fechados e ao som de um mantra.
Esta solidão é a “expulsão” da armadilha caótica, do mecânico, do artificial… Precisamos que ela interceda ao nosso favor. quanto mais desrespeitarmos nossa velocidade, tão individual quanto o número de almas que existem, mais necessitaremos deste recurso.
A reflexão nos dá certa independência. Vejo, por isso mesmo, algo em comum aos que buscam o curso da filosofia… Este questionamento do: “Eu preciso embarcar nesse modelo de vida como única alternativa, ou há variadas formas de ser competente, bem sucedido - sob várias óticas, etc, respeitando ´minhas aptidões?”.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008 @ 3:18 pm
Olá Luciano,
Quando disse que a substância se mistura apenas, camuflei meus sentimentos, posso dizer perfeitamente que os sentimentos se misturam, precisamos desta mistura, outemos que, algumas vezes seaparar tudo isto? podemos separar nossos sentimentos? ou o mesmo é apenas um turbilhão que bate tudo no mesmo copo e explode em nós? sinceramente não sei dizer…
As idéias são muitas, os pesamentos não param e meus dedos não dão conta de tanto a escrever e tão pouco tempo, quem me dera viver do ócio (no sentido original da palavra) e assim ter tempo de refletir melhor as questões e conseguir passar para o papel tudo que espero passar um dia!
enfim, a solídão não é de nada prejudicial se bem utilizada
abraços.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010 @ 2:19 pm
Obrigado! Adorei seu texto! Especialmente o último parágrafo.