Arquivos: janeiro de 2008

Dívidas

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Olá Pessoal,
Acabo de ler um texto muito interessante escrito por um grande amigo meu (Elton Dias).

Segue abaixo o texto na íntegra.

Dívidas

Você nasce.
E a partir daí sua vida é uma coleção infinita de dívidas.
Não tem como escapar.

Ainda nenê, você aprende que será cobrado por cada passo.
As primeiras “dívidas” que você adquire são:

- ele ainda não aprendeu a falar?
- ele engatinha, mas ainda não anda?

Então você se esforça, aprende a repetir os sons que seus semelhantes fazem.
Aprende a se equilibrar nas duas patas traseiras.
E quando isso acontece, quando uma dívida é paga, sempre há uma festa.
As festas vão sendo feitas de formas diferentes ao longo da vida.

A primeira festa é dita numa única palavra: “NASCEU!”.
Você pagou a dívida inicial de estar dentro de uma fêmea.
As festas seguintes são: “Ele disse ma-má!”; “Ele deu dois passos hoje!”.
E são sempre as mesmas festas sendo comemoradas, geração após geração, como se houvesse alguma novidade nisso tudo.

É claro que tudo isso acontece por causa da Festa Zero, a Festa Primordial:
- ahhhhhhh, gozei!

O que você descobre com o tempo, é que a vida não é feita só de festas, mas sim de cobranças.
Não importa sua idade, seu sexo, sua religião. Você que está lendo isto agora, você está endividado!

Então, quando você tem uns cinco anos de idade, tem botam numa escola.
A época das festas acabou. E você logo descobre que a época do colégio é uma época de longas e repetitivas cobranças.
Seus pais, seus tios, a mãe do outro coleguinha, todos sempre tem (por algum motivo) que ajudar a te cobrar, “porque sozinho ninguém se cobra” é o que dizem.
- você está estudando?
- suas notas estão boas?
- passou de ano?
- fez o dever de casa?
Só há festa, ano após ano, se todas essas cobranças forem pagas na carteirinha escolar, no final do ano, em forma de passaporte para o ano seguinte.

Como a época do colégio é longa, os últimos anos dessa fase são sempre mal-cobrados.
Você já ouviu essas perguntas tantas vezes que fica imune a elas. Seus cobradores sabem disso, e se concentram em cobrar outras coisas. Ou se concentram em pagar as próprias dívidas.

Falando em cobrar outras coisas, no final do colégio já começam a te endividar denovo.
- está fazendo algum outro curso?
- Inglês? Informática? Caratê? Catequese?
- está procurando algum serviço?
Sem contar no velho “o que você vai ser quando crescer?”.
Você tem que dar um jeito de escolher, amigo.

Então, você consegue. Você termina o colégio, termina o Ensino Médio.
E faz uma análise do que pode te dar mais dinheiro no futuro para escolher que faculdade fazer.
Alguns dizem pra você escolher algo que goste, mas isso é tudo besteira. Senão as pessoas se formariam em fazer sexo, comer, dormir e ver tv.

Você entra na faculdade e arruma um emprego pra ajudar a pagar.
Mas isso não diminui suas dívidas.
- como está no serviço?
- cabulou aula hoje?
- não seria bom mudar não?

Isso sem falar nos relacionamentos.
Se você tiver namorada, suas dívidas são:
- mas já ta namorando? É tão novinho!
- se cuida heim! Sabe usar um preservativo?
E, se você não tiver namorada, a sua dívida é justamente o que você não tem.

Cobrar é uma arte que não tem hora nem lugar para acontecer.
Você pode estar visitando sua avó, quando derepente:
- e a namorada?
Ou então pode estar fazendo compras na quitanda, quando acontece:
- você está por dentro do que tá rolando no mercado de trabalho?
Ou ainda, pode estar num funeral de um parente distante quando um primo desconhecido te pergunta:
- por que você não visitou ele antes?

Digamos que você é um cara exemplar, você cumpre com suas dívidas.
Você termina a faculdade, tem um bom emprego e uma bela namorada.
A namorada em questão tem que ser bela, porque essa é a cobrança do seu inconsciente.
Você não pode simplesmente sossegar. Você já está endividado!
- vocês não vão noivar?
- você não vai fazer uma pós?
- que tal abrir um negócio próprio?

Então lá vai você denovo correr atrás do prejuízo.
Você fica noivo, estuda mais um pouco, melhora sua condição no trabalho.
Mas é inevitável, essa é até fácil de adivinhar:
- quando vocês vão casar?

Vocês se casam.
Antes que alguém pergunte o que a noiva vai vestir, ela aparece de branco com uma cauda longa arrastando no chão. Algo super original para todos aqueles preocupados apenas em cobrar e pagar.
Quanto a casar, é bom não deixar essa cobrança se estender por muito tempo, senão vão te cobrar sobre o porque de você morar ainda com seus pais.
E sobre a festa do casamento. Essa você tem que planejar antes e pagar. Não é tão simples como dizer “ma-má!”.

Agora você é um adulto.
Você está casado. Tem sua casa (que pode ser alugada), tem um carro e um emprego.
É quando inocentemente lhe perguntam:
- vocês não querem ter filhos?
- quando você vai me dar um netinho?

Ok, você diz. Vamos cancelar aquela viagem nas férias. Vamos comprar fraldas!
O neto é uma felicidade diferente para os avós. Agora eles vão poder cobrar tudo aquilo que cobraram de você denovo, mas sem ter a sua responsabilidade. Eles até esquecem das próprias dívidas.
Ser pai e ser mãe é uma grande festa. É um título honorário permanente.

Mas você não tem trégua. É uma reação em cadeia.
- vocês não vão dar um irmãozinho pra ele?
- um só é muito pouco!
É, como se quase sete bilhões de pessoas no mundo já não fosse o suficiente.

A vida passa muito depressa e você tem que se concentrar em estar sempre pagando, porque dívida é o que não falta.
Deixar de pagar uma dívida então é muito pior.
Os juros correm soltos e você acaba se encontrando dentro de uma bola de neve.

A vida passa tão depressa que grande parte das dívidas passam e você nem se dá conta.
- hoje é o seu dia de lavar a louça!
- já comprou o uniforme dos meninos?
- por que você não vem me visitar?
- cadê aquele relatório que eu te pedi?
- você não lembra que dia é hoje?
- por que você não compra um tênis de marca?
- você não vai à festa?
- na calça não, eu já falei pra você pedir, não falei?
- põe o meu nome no trabalho aí?
- você pode me emprestar?
- hey, você é surdo?

Se você for diferente do padrão então, você tem dívidas extras.
Se for gay:
- você é gay?
Se for preto:
- quando não caga na entrada, caga na saída!
Se for ateu:
- pra que você vive então?
Se for branco que foi assaltado três vezes, e as três vezes o filho-da-puta era preto:
- você é racista!
Se for dedicado aos estudos:
- olha lá o nérdão vindo aí.

Então, você se aposenta. A grande dívida do trabalho termina.
Você não precisa mais estudar, mesmo porque você não consegue entender nada que já não conheça. Você não precisa se relacionar também.
Você vai ficando velho, e pouco a pouco todos vão se afastando.
Isso é um acontecimento natural. As pessoas querem ver pessoas que elas possam cobrar de alguma coisa. E você é apenas um coitado.

Fazer qualquer tipo de reflexão sobre tudo isso é besteira.
As pessoas vão falar que você está bitolado e vão fazer piadas sobre sexo para serem mais aceitas.
Se você quer conversar com as pessoas aí vai dica, cobre elas de alguma coisa e deixe ser cobrado também, afinal é pra isso que estamos aqui.

Agora você se encontra velho, viúvo e morando num asilo.
A casa que era sua agora é do seu filho, da sua nora e dos pentelhos dos seus netos.
Você quase não vê ninguém de fora. Quase ninguém te visita.
Quando os netos dos outros velhos vêm, eles ficam muito felizes. É a felicidade de ver os seus genes progredindo através das gerações. É a felicidade de ser normal, de ser comum.

Você já não agüenta mais essa vida, essa dívida, essa dí-vida!
Nada disso teria acontecido se a porra da Festa Zero também não tivesse acontecido.
Mas o que fazer, há festas zeros em todo lugar, e elas são apenas o pagamento de alguma dívida. É a cobrança do instinto, da mãe-natureza.

Então você pensa positivamente. Você olha pra você mesmo e diz:
- Agora não tenho mais dívidas!
Vou aproveitar estes últimos anos sem me preocupar em pagar cobrança alguma.

É quando seu filho e netos vem te visitar.
E você sente que eles estão com pressa, eles olham para o relógio o tempo todo.
O mais novo pede pro pai que quer ir embora.
Ninguém te diz nada, mas também não precisa. Você sente.
Você sente o peso da última dívida em cada olhar deles:
- você não vai morrer?

(elton dias)

Belchior - Alucinação (1976)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Belchior - Alucinação - 1976

Faça aqui o Downloadpara conhecer o CD e se você gostar, adquira o mesmo em lojas ou sites especializados.

1. Apenas Um Rapaz Latino-Americano
(Belchior)
2. Velha Roupa Colorida
(Belchior)
3. Como Nossos Pais
(Belchior)
4. Sujeito De Sorte
(Belchior)
5. Como O Diabo Gosta
(Belchior)
6. Alucinação
(Belchior)
7. Nao Leve Flores
(Belchior)
8. A Palo Seco
(Belchior)
9. Fotografia 3 X 4
(Belchior)
10. Antes Do Fim
(Belchior)

Cartola - Ao Vivo - 1978

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Cartola  Ao vivo - 1978

Faça aqui o Download para conhecer o CD e se você gostar, adquira o mesmo em lojas ou sites especializados.

1.Alvorada
(Cartola / Carlos Cachaça / Herminio Bello de Carvalho)
2.O Mundo é um Moinho
(Cartola)
3.Sim
(Cartola / Oswaldo Martins)
4.Acontece
(Cartola)
5.Amor Proibido
(Cartola)
6.As Rosas não Falam
(Cartola)
7.Verde que te quero Rosa
(Cartola / Dalmo Castelo)
8.Peito Vazio
(Cartola)
9.Alegria
(Cartola)
10.Inverno do meu tempo
(Cartola / Roberto Nascimento)
11.O Sol Nascerá
(Cartola / Elton Medeiros)

Um pouco de Cartola…

Cartola (Angenor de Oliveira). Compositor, cantor, instrumentista.

Rio de Janeiro RJ 11/10/1908-id. 30/11/1980.

Cartola nasceu no bairro do Catete, no Rio de Janeiro. Tinha oito anos quando sua família se mudou para Laranjeiras e 11 quando passou a viver no morro da Mangueira, de onde não mais se afastaria. Desde menino participou das festas de rua, tocando cavaquinho – que aprendera com o pai – no rancho Arrepiados (de Laranjeiras) e nos desfiles do Dia de Reis, em que suas irmãs saíam em grupos de “pastorinhas”. Passando por diversas escolas, conseguiu terminar o curso primário, mas aos 15 anos, depois da morte da mãe, deixou a família e a escola, iniciando sua vida de boêmio.

Após trabalhar em várias tipografias, empregou-se como pedreiro, e dessa época veio seu apelido, pois usava sempre um chapéu para impedir que o cimento lhe sujasse a cabeça, o qual chamava de cartola. Em 1925, com seu amigo Carlos Cachaça, que seria seu mais constante parceiro, foi um dos fundadores do Bloco dos Arengueiros. Da ampliação e fusão desse bloco com outros existentes no morro, surgiu, em 1928, a segunda escola de samba carioca. Fundada a 28 de abril de 1928, o G.R.E.S Estação Primeira de Mangueira teve seu nome e as cores verde e rosa escolhidos por ele. Foram também fundadores, entre outros, Saturnino Gonçalves, Marcelino José Claudino, Francisco Ribeiro e Pedro Caymmi. Para o primeiro desfile foi escolhido o samba Chega de Demanda, o primeiro que fez, composto em 1928 e só gravado pelo compositor em 1974, no LP História das escolas de samba: Mangueira, pela Marcus Pereira. Em 1931, Cartola tornou-se conhecido fora da Mangueira, quando Mário Reis, que subira o morro para comprar uma música, comprou dele os direitos de gravação do samba Que infeliz sorte, que acabou sendo lançado por Francisco Alves, pois não se adaptava à voz de Mário Reis. Vendeu outros sambas a Francisco Alves, cedendo apenas os direitos sobre a vendagem de discos e conservando a autoria: assim foi com Não faz, amor (com Noel Rosa), Qual foi o mal que eu te fiz? e Divina Dama, todos gravados pela Odeon, os dois primeiros em 1932 e o último em janeiro de 1933. Ainda em 1932, o samba Tenho um novo amor foi gravado por Carmen Miranda. Do mesmo ano é a gravação do samba Na floresta, em parceria com Sílvio Caldas, lançado por este último, e a primeira composição em parceria com Carlos Cachaça, o samba Pudesse meu ideal, com o qual a Mangueira foi campeã do desfile promovido pelo jornal “O Mundo Esportivo”.

Em 1936, a Mangueira teve premiado no desfile seu samba Não quero mais (com Carlos Cachaça e Zé da Zilda), gravado por Araci de Almeida, na Victor, em 1937, e em 1973 por Paulinho da Viola, na Odeon, com o título mudado para Não quero mais amar a ninguém. Em 1940, participou, ao lado de Donga, Pixinguinha, João da Baiana e outros, de gravações de música popular brasileira para o maestro Leopoldo Stokowski (1882 – 1976), que visitava o Brasil. Realizadas a bordo do navio Uruguai, ancorado no pier da Praça Mauá, essas gravações deram origem a dois álbuns de quatro discos de 78 rpm, lançados nos EUA pela gravadora Columbia. No rádio, atuou como cantor, apresentando músicas suas e de outros compositores. Na Rádio Cruzeiro do Sul, ainda em 1940, criou, com Paulo da Portela, o programa A Voz do Morro, no qual apresentavam sambas inéditos, cujos títulos deviam ser dados pelos ouvintes, sendo premiado o nome escolhido.

Em 1941, formou com Paulo da Portela e Heitor dos Prazeres o Conjunto Carioca, que durante um mês realizou apresentações em São Paulo, em um programa da Rádio Cosmos. A partir dessa época, o sambista desapareceu do ambiente musical. Muitos pensavam até que tivesse morrido. Chegou-se a compor sambas em sua homenagem. Em 1948, a Mangueira sagrou-se campeã com seu samba-enredo Vale do São Francisco (com Carlos Cachaça).

Cartola só foi redescoberto em 1956, quando o cronista Sérgio Porto o encontrou lavando carros em uma garagem de Ipanema e trabalhando à noite como vigia de edifícios. Sérgio levou-o para cantar na Rádio Mayrinck Veiga e, logo depois, Jota Efegê arranjou-lhe um emprego no jornal “Diário Carioca”.

A partir de 1961, já vivendo com Eusébia Silva do Nascimento, a Zica, com quem se casou mais tarde, sua casa tornou-se ponto de encontro de sambistas. Em 1964, resolveu abrir um restaurante, o Zicartola, na Rua da Carioca, que oferecia, além da boa cozinha administrada por Zica, a presença constante de alguns dos melhores representantes do samba de morro. Freqüentado também por jovens compositores da geração pós bossa-nova (alertados para a sua existência desde o show “Opinião”, no qual Nara Leão incluíra o samba O sol nascerá, de Cartola e Elton Medeiros, que mais tarde gravaria), o Zicartola tornou-se moda na época. Durou pouco essa confraternização morro-cidade: o restaurante fechou as portas, reabrindo em 1974 no bairro paulistano de Vila Formosa.

Contínuo do Ministério da Indústria e Comércio, vivendo na casa verde e rosa que construiu no morro da Mangueira, em terreno doado pelo então Estado da Guanabara, somente em 1974, alguns meses antes de completar 66 anos, o compositor gravou seu primeiro LP, Cartola, na etiqueta Marcus Pereira. O disco recebeu vários prêmios. Logo depois, em 1976, veio o segundo LP, também intitulado Cartola, que continha uma de suas mais famosas criações, As rosas não falam, e o seu primeiro show individual, no Teatro da Galeria, no bairro do Catete, acompanhado pelo Conjunto Galo Preto. O show foi um sucesso de público e se estendeu por 4 meses.

Em julho de 1977, a Rede Globo apresentou com enorme sucesso o programa “Brasil Especial” número 19, dedicado exclusivamente a Cartola. Em setembro do mesmo ano, Cartola participou, acompanhado por João Nogueira, do Projeto Pixinguinha, no Rio. O sucesso do espetáculo levou-os a excursionar por São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Ainda em 1977, em outubro, lançou seu terceiro disco-solo: Cartola – Verde que te quero rosa (RCA Victor), com igual sucesso de crítica.

Em 1978, quase aos 70 anos, mudou-se para o bairro de Jacarepaguá, buscando um pouco mais de tranqüilidade, na tentativa de continuar compondo. Neste mesmo ano estreou seu segundo show individual: Acontece, outro sucesso. Em 1979, lançou seu quarto LP: Cartola – 70 anos. Nesta época, descobriu que estava com câncer, doença que causaria sua morte, em 30 de novembro de 1980.
Em 1983, foi lançado, pela Funarte, o livro Cartola, os tempos idos, de Marília T. Barboza da Silva e Arthur Oliveira Filho. Em 1984, a Funarte lançou o LP Cartola, entre amigos. Em 1997, a Editora Globo lançou o CD e o fascículo Cartola, na coleção “MPB Compositores” (n°12).

Fonte: Enciclopédia da Música Popular Brasileira, editada pelo Itaú Cultural.

A Atitude Filosófica

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Estamos inseridos na sociedade e não há como fugir desta realidade, e mesmo que consigamos imaginar uma situação onde estaríamos completamente fora do círculo social no qual vivemos, ainda assim estaríamos inseridos no tempo, ou seja, interagindo com a natureza direta e indiretamente a todo instante, Visto isso me pergunto: De que forma e como aceitamos as coisas que nos são impostas? Independente de tudo, como aceitamos as coisas nos dias de hoje?
Tudo que nos cerca hoje em dia damos como que algo normal, algo que passa muitas vezes despercebido, pela repetição ou pela quantidade de vezes que determinado fenômeno ocorre em nossas vidas, porém convido vocês a irem um pouco mais além, buscar mesmo que timidamente, respostas que nos façam sair do comum, buscar novas realidades desconhecidas para nós até então. Mas então quer dizer que há realidades das quais não conhecemos? Somos seres humanos inseridos em uma sociedade que se sustenta de coisas óbvias?
Somos, infelizmente somos, vivemos hoje uma manipulação em massa, uma aniquilação cultural, onde temos como resultado um povo alienado que vive centrado no que podemos chamar de senso comum.
O fato de que a grande maioria da sociedade vive no senso comum não significa que este quadro possa ser alterado, só que para isso temos que tomar atitudes que nos façam pensar, refletir sobre tudo que é imposto para a sociedade e pela sociedade, quando aceitamos as coisas como elas nos chegam, sem questionarmos aquilo que nos foi colocado anteriormente, aceitando tudo como uma verdade absoluta, estamos com certeza longe de questionar sobre qualquer assunto, vamos simplesmente aceitar tudo que nos é imposto como pura verdade e ponto final?
Vimos, portanto que ficar condenado a viver no senso comum é estar condenado a viver sem poder colocar sua opinião para a sociedade, e isto não é bom, portanto temos que mudar esta postura para que possamos ser pessoas com opiniões próprias e que possamos formar opiniões fundamentadas, saindo desta forma daquilo que anteriormente nos parecia tão óbvio. Quando adotamos esta postura, estamos nos distanciando do senso comum, estamos começando a ter o que chamamos de atitude filosófica. Posso dizer que quando começamos a ter uma atitude filosófica, estamos caminhando para o distanciamento de tudo que antes era colocado como verdade, essa atitude filosófica que passamos a tomar, é buscar respostas, não aceitando tudo que nos é colocado pela sociedade e pela mídia (que é um grande manipulador de massa). Tendo este distanciamento das coisas, tornamos nosso pensamento mais crítico e menos manipulável.
Porém, para chegarmos a ter um pensamento crítico, temos que estar preparados para poder conversar sobre determinados assuntos, temos que estar preparados para que possamos opinar sem estarmos cometendo nenhuma falácia e, somente adquirindo conhecimento é que estaremos preparados para isso, seja como for, no dia-a-dia, nos estudos, nas próprias evidencias que o cotidiano nos apresenta todos os dias. O importante é que o distanciamento daquilo que é óbvio só nos faz bem, analisarmos as coisas, buscarmos as verdades ou pelo menos uma verossimilhança daquilo que buscamos como verdade.
O óbvio sempre vai existir assim como o senso comum, e não a como fugir deles, o que temos que fazer é buscarmos repostas mais concretas e para buscarmos isso vamos precisar de um pensamento crítico e analítico e este pensamento a filosofia com certeza nos ajuda a alcançar.